Fondazione Querini Stampalia: Danh Vo + Isamu Noguchi

Enquanto em Veneza, tive (tenho!) a sorte de ter um super-amigo arquiteto que é íntimo da cidade, atualmente vive lá e adora falar sobre ela. o cansaço de fim da viagem e a vontade de viver rotinas não me deixava entrar no modo intenso de turista, por isso pedi para o Pedro Seiji Tokikawa apenas uma última indicação para visitar sozinha e acabei chegando na Fondazione Querini Stampalia, que naqueles dias recebia instalações da lanternas do Isamu Noguchi com curadoria do Danh Vo, basicamente o que vocês veem nas fotos acima. Mas quero contar por partes. 

Primeiro, o espaço: O palazzo do século 16, que já foi residência de uma das famílias mais prósperas de Veneza, passou a ser uma fundação cultural na metade do século 19 pois seu último proprietário - sem herdeiros - quis destinar a residência e todo seu acervo principalmente para o estudo da arte. Dito e feito, se passaram mais ou menos 100 anos e Carlo Scarpa, arquiteto aclamado na Itália e pelo meu amigo, realizou uma intervenção de restauro no térreo e no jardim do edifício, mais um dos motivos pelo qual recebi a indicação da visita.

Mas nessas fotos o que coloquei como protagonista foi a akari, que aprendi em uma pesquisa depois que significa "luz" em japonês. "Existem alguns trabalhos que ignoram o espaço e que criam seu próprio espaço (...), e Akari faz isso. Ela entra em qualquer espaço e literalmente o acende. E o que eu realmente gosto de estar perto delas é da sensação de como coisas grandiosas podem estar em toda sua simplicidade", disse o curador.

 

Por mais que eu ache que o espaço é o que abraça a obra e sem ele, ela não teria o mesmo significado, entendi perfeitamente o que ele quis dizer com "ignora o espaço" e "cria seu próprio espaço". A forma como aquelas texturas, alturas, fios espalhados, formas e luz modificou aquele ambiente centenário de um jeito tão contraditório que eu chegava a rir durante a visita, é um conceito simples e profundo, mas tenho certeza que tem uma dose de humor e viagem. Amo como ambientes classudos tem espaço pra ironia, quando o antigo dá suporte pro novo, quando tudo parece estar no lugar há séculos e de repente tem fios e lanternas de papel de arroz de baixo de lustres de vidro.


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Veneza, junho de 2022